10 de abril de 2017

Resenha | As águas-vivas não sabem de si

Título: As águas-vivas não sabem de si
Autora: Aline Valek
Ano de publicação: 2016
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 296
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Sinopse: A três mil metros de profundidade, o oceano é um mundo sem luz, cheio das mais curiosas formas de vida e em sua maior parte inexplorado para quem vive na superfície. É nesse ambiente que mergulha Corina, flutuando no escuro como um astronauta no espaço, do jeito que gosta: cercada de água. Mas também perseguida pela sensação de que não deveria estar ali. Está sendo observada? Corina faz parte de uma equipe que pesquisa os arredores de uma zona hidrotermal com o objetivo de testar trajes especiais de mergulho. Cinco pessoas trabalhando isoladas, da superfície e umas das outras, numa estação a trezentos metros de profundidade. Como o abismo diante delas, escuro e insondável, cada uma dessas pessoas tem algo a esconder. Incapaz de afogar uma doença que pode pôr tudo a perder, Corina se vê obrigada a enfrentar seus dilemas e os dos colegas, em uma expedição liderada por um cientista com uma obsessão: encontrar inteligência no fundo do oceano. Uma história sobre mergulhar na solidão e ao mesmo tempo se cercar das vozes que pulsam no oceano. Uma história que convida a suspender o fôlego e a ouvir. Uma história que lança a inquietante dúvida: se as águas-vivas não sabem de si, sobre o que sabem então?

Corina é mergulhadora e sua atual missão consiste em testar trajes especializados para mergulhos a grandes profundidades — mais de 3 mil metros abaixo da superfície. Durante o período da missão, ela reside na estação Auris, localizada a 300 metros de profundidade, junto de Arraia, outro mergulhador, Susana, uma engenheira, e Maurício e Martin, dois cientistas interessados em pesquisar fontes hidrotermais no fundo do oceano.

A trama é bastante focada nos personagens e nos motivos que os levaram a aceitar uma missão em condições tão extremas. Não é um enredo cheio de ação, o que não é de jeito nenhum um defeito; na verdade, eu gosto bastante de histórias mais intimistas. Os mistérios, tanto em relação a essas motivações quanto à pesquisa de Martin (que logo se descobre que não é o que parece), são apresentados aos poucos. A autora soube o momento certo de despertar novas perguntas e fazer revelações, o que fez com que eu não conseguisse largar o livro.

Eu gostei da narrativa. Há um pouquinho de tell aqui e ali, e em alguns trechos a poesia passou um pouquinho do ponto, me tirando da leitura. Mas na maior parte do tempo ela é envolvente, e conseguiu passar a sensação de claustrofobia de se conviver com outras quatro pessoas em um espaço pequeno e cheio de câmeras, sem ter para onde fugir, ou a tensão de descer a 3 mil metros com trajes especiais, sabendo que não há muito o que se fazer caso algo dê errado.

O narrador é onisciente, saltando entre os diferentes pontos de vista no mesmo capítulo. Não é o meu tipo de narrador favorito, mas foi bem utilizado, de forma que não há como confundir os pensamentos e pontos de vista.

E há ainda capítulos narrados sob o ponto de vista de animais, um recurso que achei bem interessante. a autora soube explorar bem as criaturas, tanto as verdadeiras quanto as fictícias, e trabalhou de forma bastante interessante o seu ponto de vista, trabalhando a forma como diferentes criaturas entendem (ou não, no caso das não sapientes) a vida.

Os personagens são a melhor parte: são eles que movem a história. Embora Corina seja a protagonista, também conhecemos os demais, e todos são bastante críveis. Não há bem e mal — tanto que a história nem tem um vilão —, apenas pessoas comuns que têm que lidar com erros, arrependimento e culpa. Pessoas completas. Não tem como não se interessar por eles.

Eu gostei do final. É inesperado, e casou bem com o tom de todo o restante do livro. Deixou algumas pontas soltas que despertaram a minha curiosidade — mas não de um jeito ruim, porque considerando a história, não faria muito sentido que essa parte fosse revelada.

No geral, gostei muito do livro. Achei bastante criativo pela forma como explora as criaturas do mar e a busca por vida inteligente, e gostei bastante do toque intimista. Só estranhei um pouco uma cena mais para o final, que para mim soou um tanto inverossímil (ao menos no meu entendimento como leiga no assunto). Mas nada que atrapalhe minha experiência.

Avaliação:

Trama: 5
Narrativa: 4
Personagens: 5
Caracterização: 5
Coerência: 4
Criatividade: 5
Revisão: 5
★ ★ ★ ★ ✭


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